sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Desinteresse Eleitoral, Analfabetismo Político e Liberalização do voto
O Brasil vive um momento de grandes reflexões e também de decepções no plano político. Em pesquisa realizada no ano 2000 pelo IBOPE/CNI e publicado pela Folha de São Paulo, portanto há cinco anos, revelava que 56% das pessoas entrevistas naquela época, diziam que não estavam interessadas nas eleições que elegeriam prefeitos e vereadores naquele ano. Esse desinteresse revelado deve ter aumentado muito nos dias atuais, em virtude das denúncias de corrupção, mensalão, mensalinho e desmoralização da classe política como todo, guardadas as devidas proporções. Bertold Brecht, escritor e teatrólogo, escreveu um alerta sob o tema: “O Analfabeto Político”. Dizia ele: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não houve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”.O desinteresse do povo pode ser explicado pela desmoralização dos legislativos municipais, estaduais e do congresso nacional. Obviamente, devem ser respeitadas as proporções, uma vez que há gente correta e honesta. O abuso de poder, mordomias, politiquice e incapacidade moral e intelectual por parte da maioria absoluta daqueles que representam o poder legislativo. A desmoralização dos legislativos está a pedir mudanças profundas. Os governos têm preservado as imoralidades políticas. Mas, é possível mudar? Sim, desde que haja reformas político eleitorais, além de mudanças nos estatutos partidários e outras como a seguir: implantação do voto distrital, do regime parlamentarista, tornar o voto não obrigatório, modificar completamente as campanhas eleitorais, permitir que os candidatos gastem nas campanhas quanto quiserem, mas somente poderão utilizar o radio, a televisão e vistas eleitorais, proibindo tudo o mais. Os Partidos Políticos que não cumprirem os seus programas deverão ser eliminados, ter os seus registros cassados e proibidos de disputarem eleições. É necessário criar uma cultura e aprender a votar na legenda e não nos candidatos. A Fidelidade partidária é uma necessidade, mas o contrário, ou seja, a infidelidade partidária é uma aberração, pois quem quiser sair do partido pelo qual foi eleito, saia com o que é seu e não com o que é dos outros. Melhor explicando: para que alguém seja eleito, é necessário que os votos de todos os demais candidatos daquele partido se somem. Logo, para que alguém seja eleito, teve que contar com os votos de todos os candidatos da sua chapa. Assim, é eleito, depois trai todos os demais companheiros de partido, de chapa e dos eleitores que nele votaram. Isso é crime eleitoral, político, ou melhor é um estelionato político partidário. Impõe-se acabar com esse absurdo que nada tem de democrático. Devemos ensinar o povo, os eleitores e mostrar-lhe aspectos da legislação partidária, da Constituição Federal da República e tornar obrigatória uma disciplina das Escolas de Primeiro e Segundo Graus: Política Eleitoral, Partidária e Ciência Política. Mas, retornando aos ensinamentos de Bertold Brecht, diz este grande mestre: Nada é impossível de mudar “Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural e nada deve parecer impossível de mudar. Privatizado. Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só a humanidade pertence”.Há esperança? Sim! Devemos preparar a nossa juventude, procure conhecer política, políticos, ciência política com “P” maiúsculo e, aos poucos devemos ir eliminando os maus políticos. Faça um exame de consciência e perceba se você também errou ao votar. É hora de mudanças. Devemos insistir para que se criem mecanismos para que o povo possa através de Assembléias Populares, “tirar” os mandatos dos bandidos, ladrões e corruptos que são verdadeiros lobos travestidos de cordeiros. Quem dá o voto tem o direito de revogá-lo se não for correspondido. Cuidado! Lembre-se da música cantada por Zeca Pagodinho que se denomina “Comunidade Carente”. “Nós somos uma comunidade carente, lá ninguém liga pra gente. Nós vivemos muito mal. Mas, este ano nós estamos reunidos, se algum candidato atrevido for fazer promessas vai levar um pau”. Chega de blá-blá-blá em cada eleição. A comunidade já não tem mais “saco” para agüentar malandros. Mude a política, para que esta mude as nossas vidas.
domingo, 30 de agosto de 2009
ALTERNATIVA DE PODER
As eleições estaduais do próximo ano, apesar de absolutamente despolitizadas, acabarão por armar o cenário em que se dará a batalha eleitoral de 2012. Se o grupo de esquerda não aprender com os resultados de 2008, vai continuar assistindo o jogo institucional de fora do campo, uma briga de cachorro grande entre dois ou três projetos, cada vez mais parecidos, todos se apresentando como a melhor alternativa para destravar e alavancar o progresso: o campo do PMDB, do PSB e agora, do PTB. O centro do debate serão o número de obras e a forma de atender o eleitor, a comparação entre os governos Avelar MouraXArlindo Neto e até mesmo Francisco da Cruz. Para usar uma expressão mais adequada, vamos ver "quem fez melhor o dever de casa", leia-se, quem pagou os servidores em dia, quem pagou melhor os donos de carro, quem deu mais empregos e até mesmo esmolas ao eleitor, e por ai vai.
E o pior é que, se o PDT e o PT não criarem uma alternativa, quem vai decidir o jogo será o PTB, um partido recem criado no município e que já começa a falar grosso, inclusive ameaçando candidatura própria em 2012. E é bom lembrar que o PTB só tem compromisso com Arlindo Neto até 2012 e assim mesmo se o partido continuar confortável em seu governo.
Aliás, esse jogo pode ser resolvido antes de começar o primeiro tempo. Alguns fatores podem levar a um consenso que imponha, em 2012, uma solução de "união por Campinas", em torno de alguém como Arlindo Neto, Cid Júnior ou até mesmo Francisco da Cruz, lideranças que se apresentam "acima das classes e dos partidos" e capazes de promoverem um governo de "coabitação" PMDB/PSB/PTB.
O fator com mais potencial para pressionar uma solução desse tipo é a imprevisível crise econômica que começa a trazer turbulências para a economia do município. O agravamento da crise e o risco de Arlindo Neto ficar refém do PTB podem levar a administração municipal para posições mais conservadoras ou radicais.
Até porque a força do PTB fica maior ainda, quando se verifica um certo distanciamento das lideranças do PSB com seu eleitor. Não havendo outras forças incontestáveis, o PTB será o divisor de águas, deixando para trás o PDT e o PT. PMDB e PSB sairam desta última eleição mais ou menos do mesmo tamanho, isso, computando ao PMDB o grupo de Francisco da Cruz e o minguado PSDB. Arlindo Neto impôs maioria na cidade, nos povoados e em muitas outras localidades, mas com um administrador "terceirizado", filiado ao PSB.
Não se pode dizer que o PDT e o PT foram derrotados nesta última eleição, mas sairam com menos peso político. A indefinição de Naira Lopes, a grande líder do PDT, terminou por esfarelar a malfadada transferência de votos do partido para Cid Júnior. No PT, o enfraquecimento se deu porque as lideranças regionais não apostaram nas lideranças municipais. E como deu trabalho para Francisco da Cruz eleger seus vereadores, na região da Chapadinhs, onde o ex-prefeito tem seu berço político, foi necessário se fazer a campanha mais cara de todo o município na relação custo/eleitor.
Diante deste quadro, deve saltar aos olhos de quem se considera à margem destes políticos a necessidade de se tentar criar uma alternativa à bi ou tripolaridade conservadora ou ao consenso das oposições. A primeira coisa é abandonar a ilusão de uma candidatura do PTB, até porque qualquer candidatura do PTB só terá alguma possibilidade se aprovada pelo PMDB. Aliás, pode acontecer de o PMDB oferecer a Vice ao PTB em 2012, pois, com o lançamento prematura da candidatura de Francisco da Cruz a prefeito, a tendência é que ele, na ocasião, já não desfrute mais do atual índice de popularidade.
A segunda questão é reconhecer a necessidade de se formar uma frente oposicionista em 2012 que se auto-proclame alternativa de poder. Não se trata aqui de analisar a questão somente pelo resultado eleitoral do PDT e PT que foi abaixo da expectativa. Os resultados matemáticos desses partidos foram fracos, principalmente pela desigualdade de condições frente ao PMDB e PSB. Mas o fato é que esses dois partidos, mesmo juntos, não se apresentaram como uma real alternativa de poder.
Uma frente de esquerda tem que apresentar um projeto político alternativo, para além das eleições, e não ser um mero expediente para eleger parlamentares e dar musculatura a máquinas partidárias.
A criação de uma alternativa real de poder em 2012 não pode ser apenas um ato de vontade da esquerda. Se o movimento de massas não se reanimar, a reedição de uma frente de partidos com registro em 2008 será apenas um gesto burocrático. O que precisamos, além de apostar no movimento de massas, é constituir uma FRENTE POLÍTICA, baseada num programa comum e na unidade de ação, uma frente muito mais ampla do que esses dois partidos citados e que incorpore outras organizações populares, movimentos sociais, personalidades e correntes de esquerda.
Mas não pode ser uma frente política apenas para disputar eleições, mas para unir, organizar e mobilizar os setores populares num bloco histórico para lutar por uma alternativa de esquerda para o município, capaz de galvanizar os trabalhadores pelas transformações econômicas, sociais e políticas, na construção de uma sociedade fraterna e solidária. As experiências recentes mostram que a esquerda só tem possibilidade de se tornar alternativa de poder e de realizar mudanças a partir de eleições, se a vitória eleitoral for produto do avanço do movimento de massas e se vier a enfrentar os inimigos de classe e romper os limites da legalidade dominate.
E o pior é que, se o PDT e o PT não criarem uma alternativa, quem vai decidir o jogo será o PTB, um partido recem criado no município e que já começa a falar grosso, inclusive ameaçando candidatura própria em 2012. E é bom lembrar que o PTB só tem compromisso com Arlindo Neto até 2012 e assim mesmo se o partido continuar confortável em seu governo.
Aliás, esse jogo pode ser resolvido antes de começar o primeiro tempo. Alguns fatores podem levar a um consenso que imponha, em 2012, uma solução de "união por Campinas", em torno de alguém como Arlindo Neto, Cid Júnior ou até mesmo Francisco da Cruz, lideranças que se apresentam "acima das classes e dos partidos" e capazes de promoverem um governo de "coabitação" PMDB/PSB/PTB.
O fator com mais potencial para pressionar uma solução desse tipo é a imprevisível crise econômica que começa a trazer turbulências para a economia do município. O agravamento da crise e o risco de Arlindo Neto ficar refém do PTB podem levar a administração municipal para posições mais conservadoras ou radicais.
Até porque a força do PTB fica maior ainda, quando se verifica um certo distanciamento das lideranças do PSB com seu eleitor. Não havendo outras forças incontestáveis, o PTB será o divisor de águas, deixando para trás o PDT e o PT. PMDB e PSB sairam desta última eleição mais ou menos do mesmo tamanho, isso, computando ao PMDB o grupo de Francisco da Cruz e o minguado PSDB. Arlindo Neto impôs maioria na cidade, nos povoados e em muitas outras localidades, mas com um administrador "terceirizado", filiado ao PSB.
Não se pode dizer que o PDT e o PT foram derrotados nesta última eleição, mas sairam com menos peso político. A indefinição de Naira Lopes, a grande líder do PDT, terminou por esfarelar a malfadada transferência de votos do partido para Cid Júnior. No PT, o enfraquecimento se deu porque as lideranças regionais não apostaram nas lideranças municipais. E como deu trabalho para Francisco da Cruz eleger seus vereadores, na região da Chapadinhs, onde o ex-prefeito tem seu berço político, foi necessário se fazer a campanha mais cara de todo o município na relação custo/eleitor.
Diante deste quadro, deve saltar aos olhos de quem se considera à margem destes políticos a necessidade de se tentar criar uma alternativa à bi ou tripolaridade conservadora ou ao consenso das oposições. A primeira coisa é abandonar a ilusão de uma candidatura do PTB, até porque qualquer candidatura do PTB só terá alguma possibilidade se aprovada pelo PMDB. Aliás, pode acontecer de o PMDB oferecer a Vice ao PTB em 2012, pois, com o lançamento prematura da candidatura de Francisco da Cruz a prefeito, a tendência é que ele, na ocasião, já não desfrute mais do atual índice de popularidade.
A segunda questão é reconhecer a necessidade de se formar uma frente oposicionista em 2012 que se auto-proclame alternativa de poder. Não se trata aqui de analisar a questão somente pelo resultado eleitoral do PDT e PT que foi abaixo da expectativa. Os resultados matemáticos desses partidos foram fracos, principalmente pela desigualdade de condições frente ao PMDB e PSB. Mas o fato é que esses dois partidos, mesmo juntos, não se apresentaram como uma real alternativa de poder.
Uma frente de esquerda tem que apresentar um projeto político alternativo, para além das eleições, e não ser um mero expediente para eleger parlamentares e dar musculatura a máquinas partidárias.
A criação de uma alternativa real de poder em 2012 não pode ser apenas um ato de vontade da esquerda. Se o movimento de massas não se reanimar, a reedição de uma frente de partidos com registro em 2008 será apenas um gesto burocrático. O que precisamos, além de apostar no movimento de massas, é constituir uma FRENTE POLÍTICA, baseada num programa comum e na unidade de ação, uma frente muito mais ampla do que esses dois partidos citados e que incorpore outras organizações populares, movimentos sociais, personalidades e correntes de esquerda.
Mas não pode ser uma frente política apenas para disputar eleições, mas para unir, organizar e mobilizar os setores populares num bloco histórico para lutar por uma alternativa de esquerda para o município, capaz de galvanizar os trabalhadores pelas transformações econômicas, sociais e políticas, na construção de uma sociedade fraterna e solidária. As experiências recentes mostram que a esquerda só tem possibilidade de se tornar alternativa de poder e de realizar mudanças a partir de eleições, se a vitória eleitoral for produto do avanço do movimento de massas e se vier a enfrentar os inimigos de classe e romper os limites da legalidade dominate.
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