As eleições estaduais do próximo ano, apesar de absolutamente despolitizadas, acabarão por armar o cenário em que se dará a batalha eleitoral de 2012. Se o grupo de esquerda não aprender com os resultados de 2008, vai continuar assistindo o jogo institucional de fora do campo, uma briga de cachorro grande entre dois ou três projetos, cada vez mais parecidos, todos se apresentando como a melhor alternativa para destravar e alavancar o progresso: o campo do PMDB, do PSB e agora, do PTB. O centro do debate serão o número de obras e a forma de atender o eleitor, a comparação entre os governos Avelar Moura
XArlindo Neto e até mesmo Francisco da Cruz. Para usar uma expressão mais adequada, vamos ver "quem fez melhor o dever de casa", leia-se, quem pagou os servidores em dia, quem pagou melhor os donos de carro, quem deu mais empregos e até mesmo esmolas ao eleitor, e por ai vai.
E o pior é que, se o PDT e o PT não criarem uma alternativa, quem vai decidir o jogo será o PTB, um partido recem criado no município e que já começa a falar grosso, inclusive ameaçando candidatura própria em 2012. E é bom lembrar que o PTB só tem compromisso com Arlindo Neto até 2012 e assim mesmo se o partido continuar confortável em seu governo.
Aliás, esse jogo pode ser resolvido antes de começar o primeiro tempo. Alguns fatores podem levar a um consenso que imponha, em 2012, uma solução de "união por Campinas", em torno de alguém como Arlindo Neto, Cid Júnior ou até mesmo Francisco da Cruz, lideranças que se apresentam "acima das classes e dos partidos" e capazes de promoverem um governo de "coabitação" PMDB/PSB/PTB.
O fator com mais potencial para pressionar uma solução desse tipo é a imprevisível crise econômica que começa a trazer turbulências para a economia do município. O agravamento da crise e o risco de Arlindo Neto ficar refém do PTB podem levar a administração municipal para posições mais conservadoras ou radicais.
Até porque a força do PTB fica maior ainda, quando se verifica um certo distanciamento das lideranças do PSB com seu eleitor. Não havendo outras forças incontestáveis, o PTB será o divisor de águas, deixando para trás o PDT e o PT. PMDB e PSB sairam desta última eleição mais ou menos do mesmo tamanho, isso, computando ao PMDB o grupo de Francisco da Cruz e o minguado PSDB. Arlindo Neto impôs maioria na cidade, nos povoados e em muitas outras localidades, mas com um administrador "terceirizado", filiado ao PSB.
Não se pode dizer que o PDT e o PT foram derrotados nesta última eleição, mas sairam com menos peso político. A indefinição de Naira Lopes, a grande líder do PDT, terminou por esfarelar a malfadada transferência de votos do partido para Cid Júnior. No PT, o enfraquecimento se deu porque as lideranças regionais não apostaram nas lideranças municipais. E como deu trabalho para Francisco da Cruz eleger seus vereadores, na região da Chapadinhs, onde o ex-prefeito tem seu berço político, foi necessário se fazer a campanha mais cara de todo o município na relação custo/eleitor.
Diante deste quadro, deve saltar aos olhos de quem se considera à margem destes políticos a necessidade de se tentar criar uma alternativa à bi ou tripolaridade conservadora ou ao consenso das oposições. A primeira coisa é abandonar a ilusão de uma candidatura do PTB, até porque qualquer candidatura do PTB só terá alguma possibilidade se aprovada pelo PMDB. Aliás, pode acontecer de o PMDB oferecer a Vice ao PTB em 2012, pois, com o lançamento prematura da candidatura de Francisco da Cruz a prefeito, a tendência é que ele, na ocasião, já não desfrute mais do atual índice de popularidade.
A segunda questão é reconhecer a necessidade de se formar uma frente oposicionista em 2012 que se auto-proclame alternativa de poder. Não se trata aqui de analisar a questão somente pelo resultado eleitoral do PDT e PT que foi abaixo da expectativa. Os resultados matemáticos desses partidos foram fracos, principalmente pela desigualdade de condições frente ao PMDB e PSB. Mas o fato é que esses dois partidos, mesmo juntos, não se apresentaram como uma real alternativa de poder.
Uma frente de esquerda tem que apresentar um projeto político alternativo, para além das eleições, e não ser um mero expediente para eleger parlamentares e dar musculatura a máquinas partidárias.
A criação de uma alternativa real de poder em 2012 não pode ser apenas um ato de vontade da esquerda. Se o movimento de massas não se reanimar, a reedição de uma frente de partidos com registro em 2008 será apenas um gesto burocrático. O que precisamos, além de apostar no movimento de massas, é constituir uma FRENTE POLÍTICA, baseada num programa comum e na unidade de ação, uma frente muito mais ampla do que esses dois partidos citados e que incorpore outras organizações populares, movimentos sociais, personalidades e correntes de esquerda.
Mas não pode ser uma frente política apenas para disputar eleições, mas para unir, organizar e mobilizar os setores populares num bloco histórico para lutar por uma alternativa de esquerda para o município, capaz de galvanizar os trabalhadores pelas transformações econômicas, sociais e políticas, na construção de uma sociedade fraterna e solidária. As experiências recentes mostram que a esquerda só tem possibilidade de se tornar alternativa de poder e de realizar mudanças a partir de eleições, se a vitória eleitoral for produto do avanço do movimento de massas e se vier a enfrentar os inimigos de classe e romper os limites da legalidade dominate.