segunda-feira, 14 de setembro de 2009

DISCURSO x PRÁTICA

A última eleição municipal em Campinas do Piauí foi capaz de mostrar um abismo entre o discurso e a prática. O discurso de Arlindo Neto consistiu em infinitas formas de se dizer que “é tudo em prol do interesse público (do povo, dos pobres, dos ‘desfavorecidos’, etc.)”. Na prática, a agenda oculta é bem menos simpática e pode ser resumida na seguinte fórmula: “é tudo em prol dos detentores do poder, de seus familiares”.
A lógica eleitoral ameniza e, ao mesmo tempo, agrava esse problema. Ameniza no sentido de que, para reeleger-se, Arlindo Neto deve realizar medidas que favoreçam a população e, portanto, consigam a simpatia dos eleitores. O agravamento do problema é que essas mesmas medidas não têm em vista, verdadeiramente, a satisfação do interesse público, mas são apenas meios para a vitória nas eleições seguintes.
É preciso uma dose imensa de autoengano para acreditar que, de modo voluntário, Arlindo Neto deixará seus interesses pessoais e partidários de lado para dedicar-se, integral ou primordialmente, ao interesse público. Exigir-se essa dedicação de Neto é irreal. Infelizmente, não há nada no horizonte que indique a adoção de medidas moralizadoras. Pelo contrário. Passaremos a exercer o costume do autoengano, que, em Campinas do Piauí foi elevado à categoria de arte. Na próxima eleição, mais sonhos serão vendidos às pessoas sedentas de ilusão. Arlindo Neto procurará manter seu poder. Afinal de contas, como diz diariamente, tudo em nome do interesse público...

INTERESSE CONTRARIADO

Na política, quase sempre a leitura dos fatos encontra-se nas entrelinhas, e não nas linhas. A leitura posta nas linhas é aquela que todos nós, mortais, somos capazes de ler. Já a das entrelinhas, é restrita aos analistas, que leem o que ali não está dito.

A eleição municipal de 2008 nos revelou muitas facetas. As questões ideológicas foram postas de lado e as relações de amizade e confiança que antes pareciam consolidadas foram desfeitas.

Francisco da Cruz, galgado ao poder por obra e graça dos Mouras permitiu que falsos amigos o levasse para trincheiras antes combatidas em desfavor de Cid Júnior, responsável direta e indiretamente por sua ascenssão. Protegidos pela trincheira do poder e utilizando-se de armamento e munição capaz de abalar até mesmo a palavra, Cruz e Arlindo Neto imprimiram a Cid Júnior uma derrota imperiosa. Derrota esta que não foi vergonhosa devido ao fato de ainda existirem homens e mulheres de bem no município.

Não que Arlindo Neto e seus seguidores não sejam pessoas de bem. Não que Francisco da Cruz seja um pessoa do mal. Mas a verdade é que forças ocultas levaram Cruz para o caminho que lhes parecia ser flores. E ai está o resultado.

Engana-se que vier a acreditar em um rompimento político entre Francisco da Cruz e Arlindo Neto. Pelo menos a curto prazo. Cruz sabe que pagará pelos percalços de sua administração desastrosa, sabe que suas contas serão rejeitadas no Tribunal de Contas, e o pior, sabe que quando estas forem apreciadas pela Câmara, Arlindo Neto trabalhará na penumbra para que Cruz fique inelegível, abrindo espaço assim para a sua reeleição.

Francisco da Cruz sabe que muito embora vote em Ubiraci Carvalho, este não será capaz de levar a Vereadora Naira Lopes a votar a seu favor. Sabe também que o Vereador Everton Morais dificilmente votará nele, muito embora tenha cooptado seu tio Adelson Morais para as fileiras trabalhistas. Sabe que Paulo Xavier ficará com quem estiver à frente da Prefeitura; que Antônio Alves tem um eleitorado vulnerável e que provavelmente seguirá o caminho do seu coração, e que nem mesmo a Veradora Josiene Carvalho o acompanhará.

RESULTADO DA ENQUETE:

Este blog promoveu mais uma enquete perante seus internautas. Desta vez, a enquete versava sobre a atitude do Prefeito Arlindo Neto em substituir o veículo pertencente ao ex-prefeito Francisco da Cruz (Veraneio – modelo: mãe de família) por um outro veículo, de igual modelo, de sua propriedade.


Dos 45 internautas que votaram na enquete, 7 (15,6%) achan que Arlindo Neto traiu Francisco da Cruz; 12 (26,6%) acham que Arlindo Neto agiu corretamente; 1 (2,2%) acham que Arlindo Neto foi injusto e, 25 (55,6%) dos internautas disseram que Arlindo Neto apenas deu a primeira resposta.


Da análise dos números, fica evidencado que 26,6% dos internautas são defensores da medida administrativa tomada por Arlindo Neto e que este grupo é composto por internautas admiradores do modelo administrativo implementado por Arlindo Neto; 17,8% dos internautas apresentaram-se como defensores do ex-prefeito Francisco da Cruz ao denotarem a sua insatisfação com a medida tomada por Arlindo Neto. 55,6% dos internautas demonstram o seu ego psbista e por acharem que foram traídos pro Francisco da Cruz, acham que Arlindo Neto fará o mesmo com Cruz e que a traição será paulatina, aos pouco, tendo esta medida apenas com a primeira resposta que Neto dará a Cruz.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Desinteresse Eleitoral, Analfabetismo Político e Liberalização do voto

O Brasil vive um momento de grandes reflexões e também de decepções no plano político. Em pesquisa realizada no ano 2000 pelo IBOPE/CNI e publicado pela Folha de São Paulo, portanto há cinco anos, revelava que 56% das pessoas entrevistas naquela época, diziam que não estavam interessadas nas eleições que elegeriam prefeitos e vereadores naquele ano. Esse desinteresse revelado deve ter aumentado muito nos dias atuais, em virtude das denúncias de corrupção, mensalão, mensalinho e desmoralização da classe política como todo, guardadas as devidas proporções. Bertold Brecht, escritor e teatrólogo, escreveu um alerta sob o tema: “O Analfabeto Político”. Dizia ele: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não houve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”.O desinteresse do povo pode ser explicado pela desmoralização dos legislativos municipais, estaduais e do congresso nacional. Obviamente, devem ser respeitadas as proporções, uma vez que há gente correta e honesta. O abuso de poder, mordomias, politiquice e incapacidade moral e intelectual por parte da maioria absoluta daqueles que representam o poder legislativo. A desmoralização dos legislativos está a pedir mudanças profundas. Os governos têm preservado as imoralidades políticas. Mas, é possível mudar? Sim, desde que haja reformas político eleitorais, além de mudanças nos estatutos partidários e outras como a seguir: implantação do voto distrital, do regime parlamentarista, tornar o voto não obrigatório, modificar completamente as campanhas eleitorais, permitir que os candidatos gastem nas campanhas quanto quiserem, mas somente poderão utilizar o radio, a televisão e vistas eleitorais, proibindo tudo o mais. Os Partidos Políticos que não cumprirem os seus programas deverão ser eliminados, ter os seus registros cassados e proibidos de disputarem eleições. É necessário criar uma cultura e aprender a votar na legenda e não nos candidatos. A Fidelidade partidária é uma necessidade, mas o contrário, ou seja, a infidelidade partidária é uma aberração, pois quem quiser sair do partido pelo qual foi eleito, saia com o que é seu e não com o que é dos outros. Melhor explicando: para que alguém seja eleito, é necessário que os votos de todos os demais candidatos daquele partido se somem. Logo, para que alguém seja eleito, teve que contar com os votos de todos os candidatos da sua chapa. Assim, é eleito, depois trai todos os demais companheiros de partido, de chapa e dos eleitores que nele votaram. Isso é crime eleitoral, político, ou melhor é um estelionato político partidário. Impõe-se acabar com esse absurdo que nada tem de democrático. Devemos ensinar o povo, os eleitores e mostrar-lhe aspectos da legislação partidária, da Constituição Federal da República e tornar obrigatória uma disciplina das Escolas de Primeiro e Segundo Graus: Política Eleitoral, Partidária e Ciência Política. Mas, retornando aos ensinamentos de Bertold Brecht, diz este grande mestre: Nada é impossível de mudar “Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural e nada deve parecer impossível de mudar. Privatizado. Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só a humanidade pertence”.Há esperança? Sim! Devemos preparar a nossa juventude, procure conhecer política, políticos, ciência política com “P” maiúsculo e, aos poucos devemos ir eliminando os maus políticos. Faça um exame de consciência e perceba se você também errou ao votar. É hora de mudanças. Devemos insistir para que se criem mecanismos para que o povo possa através de Assembléias Populares, “tirar” os mandatos dos bandidos, ladrões e corruptos que são verdadeiros lobos travestidos de cordeiros. Quem dá o voto tem o direito de revogá-lo se não for correspondido. Cuidado! Lembre-se da música cantada por Zeca Pagodinho que se denomina “Comunidade Carente”. “Nós somos uma comunidade carente, lá ninguém liga pra gente. Nós vivemos muito mal. Mas, este ano nós estamos reunidos, se algum candidato atrevido for fazer promessas vai levar um pau”. Chega de blá-blá-blá em cada eleição. A comunidade já não tem mais “saco” para agüentar malandros. Mude a política, para que esta mude as nossas vidas.

domingo, 30 de agosto de 2009

ALTERNATIVA DE PODER

As eleições estaduais do próximo ano, apesar de absolutamente despolitizadas, acabarão por armar o cenário em que se dará a batalha eleitoral de 2012. Se o grupo de esquerda não aprender com os resultados de 2008, vai continuar assistindo o jogo institucional de fora do campo, uma briga de cachorro grande entre dois ou três projetos, cada vez mais parecidos, todos se apresentando como a melhor alternativa para destravar e alavancar o progresso: o campo do PMDB, do PSB e agora, do PTB. O centro do debate serão o número de obras e a forma de atender o eleitor, a comparação entre os governos Avelar MouraXArlindo Neto e até mesmo Francisco da Cruz. Para usar uma expressão mais adequada, vamos ver "quem fez melhor o dever de casa", leia-se, quem pagou os servidores em dia, quem pagou melhor os donos de carro, quem deu mais empregos e até mesmo esmolas ao eleitor, e por ai vai.
E o pior é que, se o PDT e o PT não criarem uma alternativa, quem vai decidir o jogo será o PTB, um partido recem criado no município e que já começa a falar grosso, inclusive ameaçando candidatura própria em 2012. E é bom lembrar que o PTB só tem compromisso com Arlindo Neto até 2012 e assim mesmo se o partido continuar confortável em seu governo.
Aliás, esse jogo pode ser resolvido antes de começar o primeiro tempo. Alguns fatores podem levar a um consenso que imponha, em 2012, uma solução de "união por Campinas", em torno de alguém como Arlindo Neto, Cid Júnior ou até mesmo Francisco da Cruz, lideranças que se apresentam "acima das classes e dos partidos" e capazes de promoverem um governo de "coabitação" PMDB/PSB/PTB.
O fator com mais potencial para pressionar uma solução desse tipo é a imprevisível crise econômica que começa a trazer turbulências para a economia do município. O agravamento da crise e o risco de Arlindo Neto ficar refém do PTB podem levar a administração municipal para posições mais conservadoras ou radicais.
Até porque a força do PTB fica maior ainda, quando se verifica um certo distanciamento das lideranças do PSB com seu eleitor. Não havendo outras forças incontestáveis, o PTB será o divisor de águas, deixando para trás o PDT e o PT. PMDB e PSB sairam desta última eleição mais ou menos do mesmo tamanho, isso, computando ao PMDB o grupo de Francisco da Cruz e o minguado PSDB. Arlindo Neto impôs maioria na cidade, nos povoados e em muitas outras localidades, mas com um administrador "terceirizado", filiado ao PSB.
Não se pode dizer que o PDT e o PT foram derrotados nesta última eleição, mas sairam com menos peso político. A indefinição de Naira Lopes, a grande líder do PDT, terminou por esfarelar a malfadada transferência de votos do partido para Cid Júnior. No PT, o enfraquecimento se deu porque as lideranças regionais não apostaram nas lideranças municipais. E como deu trabalho para Francisco da Cruz eleger seus vereadores, na região da Chapadinhs, onde o ex-prefeito tem seu berço político, foi necessário se fazer a campanha mais cara de todo o município na relação custo/eleitor.
Diante deste quadro, deve saltar aos olhos de quem se considera à margem destes políticos a necessidade de se tentar criar uma alternativa à bi ou tripolaridade conservadora ou ao consenso das oposições. A primeira coisa é abandonar a ilusão de uma candidatura do PTB, até porque qualquer candidatura do PTB só terá alguma possibilidade se aprovada pelo PMDB. Aliás, pode acontecer de o PMDB oferecer a Vice ao PTB em 2012, pois, com o lançamento prematura da candidatura de Francisco da Cruz a prefeito, a tendência é que ele, na ocasião, já não desfrute mais do atual índice de popularidade.
A segunda questão é reconhecer a necessidade de se formar uma frente oposicionista em 2012 que se auto-proclame alternativa de poder. Não se trata aqui de analisar a questão somente pelo resultado eleitoral do PDT e PT que foi abaixo da expectativa. Os resultados matemáticos desses partidos foram fracos, principalmente pela desigualdade de condições frente ao PMDB e PSB. Mas o fato é que esses dois partidos, mesmo juntos, não se apresentaram como uma real alternativa de poder.
Uma frente de esquerda tem que apresentar um projeto político alternativo, para além das eleições, e não ser um mero expediente para eleger parlamentares e dar musculatura a máquinas partidárias.
A criação de uma alternativa real de poder em 2012 não pode ser apenas um ato de vontade da esquerda. Se o movimento de massas não se reanimar, a reedição de uma frente de partidos com registro em 2008 será apenas um gesto burocrático. O que precisamos, além de apostar no movimento de massas, é constituir uma FRENTE POLÍTICA, baseada num programa comum e na unidade de ação, uma frente muito mais ampla do que esses dois partidos citados e que incorpore outras organizações populares, movimentos sociais, personalidades e correntes de esquerda.
Mas não pode ser uma frente política apenas para disputar eleições, mas para unir, organizar e mobilizar os setores populares num bloco histórico para lutar por uma alternativa de esquerda para o município, capaz de galvanizar os trabalhadores pelas transformações econômicas, sociais e políticas, na construção de uma sociedade fraterna e solidária. As experiências recentes mostram que a esquerda só tem possibilidade de se tornar alternativa de poder e de realizar mudanças a partir de eleições, se a vitória eleitoral for produto do avanço do movimento de massas e se vier a enfrentar os inimigos de classe e romper os limites da legalidade dominate.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

RESULTADO DA ENQUÊTE


A última enquête realizada pelo blog questionava com os internautas sobre as eleições municipais de 2012. Embora ainda muito distante, existe uma movimentação na cidade com o lançamento de candidaturas de pelo menos dois ou três partidos.

Segundo a enquête, 31% dos eleitores campinense acham que Arlindo Neto deve se candidatar a reeleição. 17% acham que Arlindo Neto deve apoiar Francisco da Cruz e nenhum internauta acha que Arlindo Neto deve apoiar Valdinei Macedo.

Surpreendente foi o número de internautas que afirmaram já ter outro candidato, 46%, o restante preferiu não opinar.

Numa análise superficial, percebe-se que o grupo governista está muito forte e que a candidatura de Francisco da Cruz, muito embora esteja na boca do povo passa pelo crivo de Arlindo Neto e que o eleitor pmdbista quer ver Arlindo Neto reeleito, ofuscando assim o sonho de Francisco da Cruz de ter o apoio de Arlindo Neto já na próxima eleição.

Por outro lado, o número de eleitores que admitem ter outro candidato que não os citados na enquête se apresenta bastante forte. Este grupo é formado pelos eleitores do PSB, além daqueles do PT e PDT que fizeram oposição a Arlindo Neto no pleito de 2008, agregando-se ainda a este grupo, aqueles descontentes que já tiveram a coragem de romper politicamente com Arlindo Neto.

O certo é que Francisco da Cruz, por não está com a caneta na mão, e embora seja politicamente muito mais forte que Arlindo Neto, tem que se sujeitar àquele, sob pena de perder o pouco poder que ainda lhe resta na Prefeitura.

DINHEIRO PÚBLICO

=== A Prefeitura Municipal de Campinas do Piauí fez a aquisição de Parques Infantis, Placa Indicativa Urbana, Banco Português, Caixa Coletora, Carro Coletor e Cestos de Lixo. Pagou a bagatela de R$ 28.000,00 (vinte e oito mil reais);
Maiores informações: Proc. Administrativo nº 05/2009, Edital de Convite nº 005/2009, datado de 30/03/2009 – DOM: Edição MCCLXXXIII, Ano VII, de 25/03/2009, p. 03.

--- Licitou material de construção a ser distribuído às diversas Secretarias municipais no valor de R$ 580.000,00 (quinhentos e oitenta mil reais).
Maiores informações: Proc. Administrativo nº 08/2009, Edital de Convite nº 008/2009, datado de 02/04/2009 - DOM: Edição MCCLXXXIII, Ano VII, de 25/03/2009, p. 03.

=== Licitou uma caminhonete para o transporte de pessoas doentes carentes para Teresina no valor de R$ 33.000,00 (trinta e três mil reais).
Maiores informações: Proc. Administrativo nº 021/2009, Edital de Convite nº 010/2009, datado de 24/07/2009 - DOM: Edição MCCCLXVII, Ano VII, de 21/07/2009, p. 23.